Talvez por isto volta e vem a minha cabeça, o monólogo de Hamlet de Shakespeare. Parece, e não sou paranóica, que o mundo de hoje não gosta de te ver feliz, pelo contrário. Gosta de ver você no esgoto, a tal da luta antimanicomial só serve mesmo é para tolos, nunca participarei de algo dela. Fui internada em novembro do ano passado e vi as benécias profetizadas por esse tal de Paulo Delgado, e olha que pelo menos desta vez eu não fiquei no pior dos andares como foi na primeira vez, aos 27 anos de idade.
Pergunto, a quem quiser ler este texto, onde estão os meus sonhos? Onde está a minha vida? A minha alegria? Acabou tudo, se é que algum dia existiu. A vida é apenas um montinho de areia na palma da mão e que vai escorrendo pelo meio dos dedos e quando você menos percebe, a sua mão está vazia.
Minha mãe está com 93 anos, incapaz de dar um passo sem ajuda. Deus sabe que se eu pudesse eu dava o resto da minha vida para ela, porque tenho horror desse século medíocre, desse século do engodo, do descaso, do sofrimento que as pessoas mesmo fazem. Mas é isso que o ser humano quer, por fogo na fogueira. Eu, que sou uma idiota, não passo de nada mais do que isso, tento, ou já tentei muito nesses quase 7 anos que eu estou aqui, tudo.
Sinto muito, eu não quero continuar mais. Vou levar a vida como uma rickettsia, o menor dos microorganismos, e deixar o mundo para lá.
Maria Helena Junqueira Reis
05 de setembro de 2018

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